"As diferenças não podem ser maiores do que os afetos." Reynaldo Lopes.
(fotos de arquivo pessoal de Reynaldo Lopes)
Eu escutei a frase do título deste post na semana passada durante a mini-série “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral, que foi transmitida pela Rede Globo. Essa frase estava num texto entre o protagonista da série com um amigo e ambos falavam de um outro amigo em comum que tinha com comportamento arrogante. No final foi dita essa frase sábia. Ao escutar vários pensamentos me vieram a cabeça. Lembranças de acontecimentos familiares e de amizades que se deixaram no esquecimento do tempo por causas de diferenças e que anularam os afetos voltaram a mente. Quanta coisa passou pela minha cabeça nesse momento. Como eram situações que o tempo deixou distante, as referencias das diferenças não me parecem mais tão claras. O que se evidenciou foi o sentimento dos afetos e que me pareceram mais próximos. Imediatamente os questionamentos dos porquês de não estarmos mais tão juntos e sim, separados, eu e pessoas nessa situação, foi inevitável.
Não sei se sou diferente dos demais, mas o que me impressionou nesse momento reflexivo foi que o sentimento de afeto se sobrepôs a tudo que poderia ser considerado como diferença intransponível para que se permanecesse a distância que as diferenças impuseram no meu caminho dos afetos genuínos. O que seriam esses tais afetos genuínos? Seriam aqueles ofertados aos borbotões pelos nossos pais e parentes mais próximos? Seriam aqueles conquistados através do desenvolvimento das amizades eternas? Seriam aqueles que transformamos quando nos envolvemos efetiva e amorosamente com outra pessoa dita especial para nós? Seriam todos esses? Seriam simples ou complexos? O que seriam esses afetos genuínos? Para mim a resposta está no simples sentir com a pessoa que está a sua frente, seja de longa data de conhecimento, seja de data recente. Se ela lhe passar o sentimento de confiança e de carinho gratuito, aí nasce o tal sentimento de afeto genuíno.. Sabe aquela sensação que vem sabe-se lá de onde, mas que lhe dá a certeza absurda que vocês vãos se dar bem pelo simples motivo de estarem juntos? Isso independe de relação familiar, de raça, cor, gênero, religião, facção política, aptidões... Só depende de se sentir bem com o outro e, para mim, é o que define afeto genuíno.
Então o que seria diferenças intransponíveis quando se tem afetos genuínos? Nem vou precisar discorrer muito sobre o tema, pois a resposta é bem simples aqui: como bem contextualizou a autora da mini-série, as diferenças não podem ser maiores do que os afetos genuínos (palavra e grifo pessoal meus).
Pensar sobre isso e agir ao mesmo tempo baseado nisso me fez entrar em contato com pessoas que tive a ilusão de que as diferenças seriam maiores do que os afetos genuínos e, desde então, estou ainda mais feliz. Comecei a fazer isso aos poucos e coloquei essa atitude como meta a ser alcançada. Então quem está distante por qualquer diferença, seja real ou não, mas que possuam comigo o tal do afeto genuíno, se preparem, pois estou chegando. Neste caso cito aquela música da qual não me lembro o nome, mas que escutava com a Simone cantando no programa do Chacrinha no final da década de setenta do século passado (estou ficando velho mesmo, pois esse negócio de século passado envelhece um budista) que dizia assim: pode armando o coreto e preparando aquele feijão preto que eu to voltando. Põe meia dúzia de “Bohemia Confraria” (no caso da cerveja é liberdade “poética” minha mesmo, pois na música é Brahma- é assim que se escreve o nome dessa cerveja amarga?) pra gelar, muda o roupa de cama que eu to voltando... Enfim, não serão diferenças que superarão os meus afetos genuínos com pessoas amadas por mim. Custe o que custar.
Para quem quiser pensar e agir assim, fica a dica: reveja suas diferenças e as compare com seus afetos genuínos com pessoas que valem a pena estar juntos. A surpresa vai ser boa e isso eu garanto, afetuosamente falando.
Escrito por Reynaldo às 20h46
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