A palavra não dita que mais tem sentido no livro...

 

Falar da literatura de Khaled Housseini para mim é sempre muito prazeroso. Quem leu “O caçador de Pipas” sabe que o cara é bom pacas. Escrevi sobre este livro aqui no blog e, modéstia a parte, ficou bom pra caramba a beça.

 

Enfim, acabei de ler “A Cidade do Sol”. Trata-se de uma história de duas mulheres que sofrem o pão que o Talibã amassou e cuspiu. Não é mole não, meu irmão, ser mulher no Afeganistão, segundo a história de Housseini.

 

Tenho a impressão de quem lê “Pipas” fica meio anestesiado com as narrativas de violência que são descritas pelo autor em “A Cidade do sol”. Tais cenas não chocam mais tanto. Isso é muito estranho. Mal comparando seria o mesmo quando falamos da violência nas ruas do Rio de Janeiro como coisa comum para nós, cariocas da gema ou por aqueles genuinamente adotados por este povo hospitaleiro que somos. Será que depois de um impacto inicial de grande violência ficamos menos sensíveis com violência comparada? Será que se houver um novo World Trade Center ficaremos pouco surpresos e não confundiremos com cena de filme de cinema? Realmente é estranho pensar nisso... Mas voltemos ao belo livro que conta de forma sensível a história de um país que deve ter sido lindo através da trajetória de duas mulheres totalmente diferentes e que possivelmente nunca se encontrariam se não fosse os regimes comunistas e do Talibã. Não só o amor une, o sofrimento também faz isso e talvez de forma definitiva, sem fim. Foi esse fenômeno que me deixou surpreso, pois esse sofrimento fez com que essas mulheres se fizessem fortes, combatentes e desenvolvessem um amor que no último parágrafo, na última palavra não escrita pelo autor, se materialize o maior dos sentimentos da humanidade: o amor ao próximo, incondicionalmente.

 

Aqui faço a homenagem a palavra não escrita e viva a dedução e a inteligência. Acima de tudo viva a boa literatura que nos faz viajar a países distantes e a conhecer culturas inimagináveis e respeitáveis. Tomara que a “Cidade do Sol”  traga a todos o sentimento de amor ao próximo incondicionalmente, sempre.



Escrito por Reynaldo às 20h46
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