Mais uma da Avenida chamada Brasil - Reynaldo Lopes
Dar aulas é uma coisa que amo fazer. Acredito que seja até uma vocação, predestinação, imaginação, tudo com muita ação.
Nesse semestre estarei fechando um ciclo com o Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, pois o curso de Fonoaudiologia está fechando lá no final do ano e eu desligarei a luz e fecharei aporta após a última turma sair de lá. Ali comecei aminha carreira docente remunerada, com carteira assinada nos idos de 2000. Foi muito legal trabalhar ali,mas nos últimos dois anos tem sido triste para mim, pois desmontaram uma estrutura que era extremamente boa. Como acredito que tudo que se inicia acaba, veja a própria vida, onde todos morrerão um dia (espero que o meu dia esteja longe de chegar), ali também acabaria. É, acabou!
Também reclamava e vou reclamar até o final do ano do santo engarrafamento “segundafeiral” (os mais purista da Língua Portuguesa me perdoem o neologismo aqui aplicado) que tenho que passar. Mas sabe que às vezes até é legal. Já postei aqui o prazer de ouvir um programa da rádio que escuto. Está a uns dois post abaixo. Nessa segunda achei poesia numa passarela de pedestre. Esse negócio de andar a menos de 10km por hora faz você ver cada coisa. Enfim, fiquei vidrado com a minha miopia congênita numa pessoa que estava parada em cima de uma das inúmeras passarelas de Avenida Brasil. Ela e os carros abaixo dela, parados. Ela passível, nós agitados, irritadiços. Imaginei diversas histórias para aquela pessoa que nem o gênero sei (lembrem-se, sou míope pacas). Aí saquei meu celular e dei uma de paparazzi. Tirei uma foto desse instante engarrafado que para mim tinha um complexo de histórias ao meu redor, mas que a imagem de alguém olhando a feia paisagem da Avenida Brasil engarrafada me encantou com uma singeleza primaveril. (nossa, de onde tirei primaveril – gargalhando aqui)
È, o engarrafamento enlouquece qualquer um e a gente se droga a toa com a própria respiração esfumaçada. Mas de uma coisa eu tenho certeza: vai ser difícil me tirarem dessa maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro de novo. Daqui não saio, daqui ninguém me tira!
Ficar engarrafado na Avenida Brasil é bom - Reynaldo Lopes
Hoje começou as aulas no Centro Universitário
Moacyr Sreder Bastos, em
campo Grande, zona oeste aqui do Rio de Janeiro. A rotina de ir
para lá não se altera muito, pois sempre fico preso em um enorme engarrafamento
na Avenida Brasil que não tem sentido e nem começo e fim.
Para passar o tempo escuto a rádio MPB FM,
90.3 http://www.mpbfm.com.br
que adoro e na hora em que estou nesse engarrafamento há um programa bem legal
que se chama chat das cinco (detalhe, minha aula começa às 7 da noite e as cinco
já estou engarrafado. Isso é que é engarrafamento). Nesse programa sempre há um
convidado que é cantor, ator, ambos, escritor...
Hoje a convidada foi cantora, poetisa e atriz
Elisa Lucinda http://www.escolalucinda.com.brA
entrevista foi show de bola e recebi um presente maravilhoso em pleno
engarrafamento carioca: um poema recitado pela entrevistada. Não sei o nome do
poema, mas é de um livro dela. Vou tentar escrever aqui o que escutei, mas ele
foi mais ou menos assim:
Que custo tem um
sonho?
Um sonho pode custar várias
coisas.
Um sonho pode custar vários
outros sonhos
Mas quando realizamos um sonho
percebemos
Que um sonho sempre tem um
preço justo.
Ao chegar em casa fui visitar o site dela que está
ai em cima.
Aliás, recomendo ambos os sites aqui “linkados”. Poesia é um
máximo e com a Elisa recitando, soa tão mais bonito.
Uau, que bom que tem uma rádio aqui no Rio que
além de tocar só música brasileira, mostra gente brasileira que faz palavras
lindas e simples.
Enfim, vale a pena engarrafar na Avenida Brasil
todas as segundas para ser presenteado com música e poesia....
Minha relação com a morte é simples e sem mistérios. Trata-se de um fato inevitável e mais cedo ou mais tarde ele chega.Se tivermos a sorte de obtermos últimos olhares ternos, somos ganhadores. Às vezes quando se ganha, se perde... Faz parte da vida e da morte. E na boa, vida e morte é tudo farinha do mesmo saco e faz um bolo e tanto.
Fez treze anos no dia vinte e dois de julho passado que ela se foi sem pedir licença. Sua maneira livre de ser e sua forma de ensinar o que é viver ficaram comigo.Sou muito que ela foi. Sou a construção da sua simplicidade de ser o que se é. Sou um pouco de tudo do muito que ela se construiu entre nós.
Há treze anos ela me olhou, seis dias antes de partir de vez, pela fresta da porta do meu quarto. Isso normalmente me aborrecia muito, mas naquela vez foi diferente e parecia mais do que especial aquela olhada pela fresta. Não sabia que se tratava de uma despedida dessa realidade. Na verdade nunca sabemos quando vamos olhar pela última vez seres que amamos. Nunca sabemos. Talvez seja para que sintamos o que esta por vir sem a dor que isso pode causar. Naquele dia não me aborreci e a olhei de volta e deixei que me olhasse com ternura e amor. Deixe-me ser amado livremente naquele instante por ela que me amava sem condições.
As escolhas que fazemos aqui, ou sei lá em que plano de existência, é um mistério. Ainda bem, pois não dá para interferir no processo todo. O tal do livre arbítrio é um presente que nos damos quando decidimos voltar para a terra afim de aprender mais.
Os infernos que escolhemos e os que pessoas amadas escolhem co-habitar conosco são escolhas amorosas e por inúmeras vezes inexplicáveis para a maioria das pessoas terrenas, sem grandes lances espirituais. O que é complicado entender é que essas escolhas são racionais. Quem pensa que o amor genuíno é emoção pura, se engana, pois emoção pura é a paixão. O amor é baseado em escolhas racionais, escolhas por estar perto e junto em qualquer lugar físico e espiritual que nos encontremos.É aprender e ensinar mutuamente, sem medos e dramas. É aceitar o outro como ele é e se aceitar como se apresenta para si e para o mundo.
Há treze anos ela se foi, assim, de repente, nos deixando com as lembranças, os carinhos aprendidos, a razão e emoção. Eu a sinto aqui bem perto, me intuindo, me ensinando a ser o mais verdadeiro com quem co-habita em meus infernos e céus.
Há treze anos estamos mais do que juntos. Estamos presentes no presente que foi e é o nosso convívio eterno.
Palavras sobre maternidade pela Deidi, Amiga amada. - Reynaldo Lopes
A Deidi é uma amiga que tenho há exatos vinte anos. Nos conhecemos no dia 20
de julho de 1988, época muito doida da minha vida. Conhecer a Deidi e a Vera,
outra pessoa muito linda e Amiga de fato e de direito foi um dos maiores
presentes que recebi na vida e os preservo com toda a força do amor que sinto
por elas.
Há quinze anos a Deidi deu a luz a Thaís, uma menina linda, saudável,
inteligente. Depois juntou sua luz a do Vitor, filho de fato e
direito também, mas pelo coração.
O vídeo abaixo reflete a pessoa que a Deidi é, um ser iluminado e lindo
que eu tenho o privilégio de ter em minha vida sempre.
Ela aproveita a festa da Thaís para nos tocar com palavras sobre ser mãe e
nos convence que em nós há o sentido amplo do que vem a ser maternidade ampla e
irrestrita.
Vida de tartaruga no projeto Tamar, na Bahia, é assim... - Reynaldo Lopes
Em janiero desse ano foi a Salvador, Bahia e lá vi coisas muito legais. A população da Bahia é muito educada e solícita. É uma cidade maravilhosa, depois do meu Rio de Janeiro, é claro.
Salvador é uma cidade impregnada de histórias reais, lendas, magias e beleza. Para vocês terem uma idéia rasa do que é estar na Bahia, a estação era verão e não era um calor insuportável. Com certeza estava mais quente no Rio de Janeiro, onde moro , do que na Bahia de todos os santos.
Entre várias coisas e pessoas que vi e conheci, uma se destacou. Na verdade foi um local mágico. Ele fica na praia do forte, um pouco distante de Salvador e lá encontramos o projeto Tamar. Ali as tartarugas têm um refúgio seguro, um porto mais do que seguro para se reproduzir e viver os muitos anos que existem aqui na terra.
Gravei um pouco disso para dividir com quem queira. Espero que gsotem.
Já dizia o poeta: cartas de amor são ridículas, mas não seriam ridículas se não fossem cartas de amor.
Já dizia eu: cartas de rancor são mais ridículas ainda, pois nenhum sentido fazem na vida. A liberdade é um direito que se conquista com muito trabalho e honra e não com palavras vazias.Para resumir quem eu sou, plagio Raul: sou raso, largo, profundo...Honestamente falando, não estou nem aí para sua opinião pequeno burguesa, pois estamos todos no mesmo barco furado com torcidas opostas, graças a um Deus aí qualquer (ou quem sabe, Deus algum). Essa oposição me faz livre e feliz e aqui não sou míope, enxergo bem tudo e todos. Enxergo a mim primeiro e adoro o que vejo no espelho.
GITA – Raul Seixas."Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando,foi justamente num sonho que ele me falou"Às vezes você me pergunta Por que é que eu sou tão calado Não falo de amor quase nada Nem fico sorrindo ao teu lado. Você pensa em mim toda hora Me come, me cospe, me deixa Talvez você não entenda Mas hoje eu vou lhe mostrar Eu sou a luz das estrelas Eu sou a cor do luar Eu sou as coisas da vida Eu sou o medo de amar Eu sou o medo do fraco A força da imaginação O blefe do jogador Eu sou, eu fui, eu vou Gita gita gita gita gita. Eu sou o seu sacrifício A placa de contra-mão O sangue no olhar do vampiro E as juras de maldição Eu sou a vela que acende Eu sou a luz que se apaga Eu sou a beira do abismo Eu sou o tudo e o nada Por que você me pergunta Perguntas não vão lhe mostrar Que eu sou feito da terra Do fogo, da água e do ar Você me tem todo dia Mas não sabe se é bom ou ruim Mas saiba que eu estou em você Mas você não está em mim Das telhas eu sou o telhado A pesca do pescador A letra A tem meu nome Dos sonhos eu sou o amor Eu sou a dona de casa Nos pegue-pagues do mundo Eu sou a mão do carrasco Sou raso, largo, profundo Gita gita gita gita gita. Eu sou a mosca da sopa E o dente do tubarão Eu sou os olhos do cego E a cegueira da visão Mas eu sou o amargo da língua A mãe, o pai e o avô O filho que ainda não veio O início, o fim e o meio Eu sou o início, o fim e o meio
Ouça um bom conselho sobre vampiros urbanos que andam entre nós - Reynaldo Lopes.
Reza a lenda que quando convidamos um vampiro a entrar na nossa casa, corremos o risco de sermos zumbis dele após a mordida...
Vampiros se apresentam de diversas formas na atualidade e têm de todos os gêneros e opções sexuais, das mais diversas. É fácil reconhecê-los, pois basta olhar os dentes que são tortos e maltratados e na maioria das vezes são dentuços. No caso de vampiros não há tratamento ortodôntico e fonoaudiológico que dê jeito naqueles dentões grandes, tortos e manchados de nicotina, cachaça e sangue alheio. Quando vir dentes assim pela frente, em plena rua, corra, pois eles vão tentar te morder.
Nos dias atuais os vampiros andam livremente sob sol a pino, pois eles são uma raça tão ruim que mesmo tendo a pele branca assustam o sol e não sofrem os efeitos de destruição imediata ao contato com raios solares. Sim, meus amigos, os vampiros atuais nos enganam se não ficarmos atentos. Os dentes sujos e tortos é que nos sinalizam de sua proximidade. Ah, como são sangue sugas normalmente estão acima do peso e falam em linguagem infantil com seus pares amorosos, os pobres zumbis que os acompanham fielmente, hipnotizados e que se submetem aos maiores desaforos e maus tratos, humilhações no castelo do vampiro. Pobres zumbis.
Habitantes docastelo barraco do vampiro dos vampiros são de doer também, pois maltratam ainda mais os zumbis dos vampiros dentuços a acima do peso que andam entre nós. Os pobres zumbis que não têm escolha ou acham que não têm, pois são dependentes do castelo do vampiro. A maldição está em seu sangue, não conseguem fugir do destino imposto pela mordida fatal dos dentões tortos do vampiro gordo. Alguns zumbis fêmeos carregam a maldição em outro lugar do corpo além do sangue, mas prefiro não comentar...
Enfim, se um vampiro com dentes tortos, sujos, manchados, acima do peso, entrar na sua casa acompanhado por um zumbi, faça a escolha certa: feche a porta para sempre e não olhe para trás, pois a inveja de vampiros pode transformar as sua vida em um filme de terror de quinta. Fuja de vampiros assim. Aliás, fuja de pessoas que são vampiros de si mesmas e tentam o levar para o mesmo buraco que eles se encontram. Eles têm inveja do que você possui, pois vampiros não têm onde caírem mortos, pois já são mortos vivos sociais e tentam de todas as formas entrarem na sua vida para destruí-la como fazem com as deles. Fuja dos vampiros e seus zumbis antes que seja tarde...
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